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A Capital Paulista | Amado Batista - O Cantador de Histórias - Parte 3 |
A Capital Paulista - Parte 3
Sodré era recém-casado e cantava na noite de Goiânia para sobreviver. Endividado, ele vivia literalmente no vermelho. Já estava perdendo as esperanças quando Artênio, advogado e irmão de Amado, foi até ele e disse:
- Olha, vai para São Paulo, o Amado disse que o disco arrebentou, bicho. Vendeu um milhão de cópias e você tem uma grana violenta para receber.
- Tá bom. Eu vou - disse Reginaldo, meio desanimado.
Eles já tinham estourado com a música "Desisto", mas não recebera quase nada. Analisou a situação por momento e, por mais que não acreditasse, não custava ir até São Paulo. Era ver para crer.
- Eu vou por que foi o Artênio que falou, se fosse outro, eu não iria disse o compositor.
Meio contrariado, arrumou as malas e foi até São Paulo. Chegando à Continental, o segurança, vendo aquele rapaz humilde, trajando roupas simples, o barrou já na porta de entrada.
- O senhor não pode subir.
- Eu sou o compositor do Amado Batista - disse Reginaldo. Tem cinco músicas minhas no disco - insistia.
Depois de tanta persistência e com muito custo, Sodré conseguiu entra na gravadora. Todo tímido, foi recebido por Victor Martins, parceiro do cantor Ivan Lins, diretor da editora, departamento responsável pelo pagamento dos compositores.
- Entra. Pois não? Tudo bem? - disse Victor.
- Tudo bem.
- Que que você manda?
- Eu sou Reginaldo Sodré.
- Reginaldo Sodré?! Do disco do Amado Batista?
- É.
- Então senta. Senta para você não cair.
- Meu Deus, que será? - pensou imediatamente Reginaldo.
- Você está rico e não sabe, cara?!
- Meu Deus do Céu!
Ele ficou pensativo, por mais que tentasse imaginar a quantia que o tornaria rico, não conseguia.
- Olha, você tem conta em banco? - perguntou Martins.
- Não. Não tenho nada, não.
- Então abre uma - falou prontamente Victor - você não vai andar com esse dinheiro todo, não.
Sodré começou a ficar perturbado, por mais que pensasse, não conseguia deduzir a quantia que havia ganhado.
- E quanto que é?
Victor entregou-lhe o cheque.
Reginaldo olhou e ficou em estado de choque, sua perna tremia, o coração disparou, não conseguia falar.
Em toda a sua vida, foi a primeira vez que viu uma quantia tão alta. Ele nunca ficou tão feliz em ver tantos zeros.
Reginaldo já não sonhava mais viver de música e eis que a vida deu uma reviravolta. Com a quantia, comprou uma casa para morar com a esposa, fez uma viagem de avião, de ida e volta, para Bahia e não conseguiu gastar nem metade do montante.
A partir daquele dia, Amado e Reginaldo estavam realizando o sonho de viver apenas de música.
Mãe, tu és a conselheira dos meus passos
A mais digna mulher dos meus abraços
A dona do mais puro beijo meu
Mãe, tu és o meu prazer na vida ou morte
Pois me ensinaste a ter um braço forte
E a construir e imagem do meu eu
Mãe tu tens em tuas mão uma virtude
Pois entregasse a tua juventude
Pelo prazer de ter nome de mãe
E eu, usei todas palavras que desponho
Mas na maior frase a ti componho
Existe algo ainda por dizer
Mãe, tu és para a poesia uma meta
A musa inspiradora de um poeta
Que descobriu a fonte do amor
Mãe, em ti eu vejo tudo que há em mim
Por isso eu te digo que és enfim
A imagem mais perfeita do que sou